O que têm em comum os Slayer e a Apple?

Ontem juntei-me aos cabeças de metal do país para assistir ao concerto dos Slayer no Pavilhão Atlântico. Quem lá esteve saiu de barriga cheia, e é bem provável que também tenha gostado imenso do espectáculo. Bom, de qualquer forma não pretendo com este post fazer uma crítica ao vigor com que esses duros despertaram tamanhas emoções aos presentes. Mas ocorreu-se-me uma coisa.

Os Slayer

Muitas empresas podiam aprender imenso com os Slayer.

Os Slayer, para quem não sabe, são uma banda de thrash metal (aquilo que os Metallica costumavam tocar) que teve origem no início dos anos 80. E há 30 anos que praticam exactamente o mesmo tipo de música e cantam sobre exactamente os mesmo temas: sangue e tripas, guerra, religião, satã, etc. Qualquer música dos Slayer podia perfeitamente estar em qualquer um dos onze discos que eles já editaram e ninguém se queixava.

Há uma boa razão para isto.

Eles concentram-se naquilo em que são bons (e eles são realmente muito bons naquilo que fazem) e estabelecem assim uma identidade inconfundível. Os Slayer são das poucas bandas ditas pesadas que têm o respeito do mais variado tipo de audiófilos. A banda adquiriu uma enorme notoriedade sem muito tempo de antena ou visibilidade em canais de televisão, mas eles têm algo a seu favor: bom senso e bom gosto. Por muito que a música dos Slayer tenha sempre o mesmo estilo ela é sempre boa. E não mexe mais!

U Can't Touch This

A Apple do Steve Jobs faz o mesmo na sua área. Na sua darkest hour (os Megadeth também actuaram ontem) a empresa chegou a desenvolver câmaras digitais, leitores de CD, consolas de videojogos e até impressoras, mas acabou por perceber que ir a todas não era boa política. Hoje, a Apple vende um pequeno número de produtos, exerce uma enorme influência no entretenimento e é uma das maiores e mais lucrativas empresas do mundo. Como os Slayer, a Apple concentra-se naquilo em que é boa.

Também as publicações, sites de notícias e afins têm a ganhar caso se dediquem a fazer aquilo em que são bons. O jornalista americano e autor do livro “O Que Faria o Google?”, Jeff Jarvis (o seu blogue, aqui), colocou-o da seguinte forma: «Cover what you do best. Link to the rest». Mais publishers deviam aplicar esta regra no seu dia-a-dia. Mais facilmente estabelecem uma identidade e mais facilmente se destacam se o fizerem.

Concentrem-se naquilo em que são realmente bons. Só terão a ganhar com isso.

E agora, um vídeo dos Slayer.

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