Revista digital da Google é espectacularmente ilegível, etc.

A Google entrou sorrateiramente no negócio dos media com a revista Think Quarterly. E à imagem dos recentes empreendimentos da gigante da busca, o produto final deixa muito a desejar. Não que a concorrência faça melhor…

Revista sem leitura

Actualmente, a norma das revistas online é: (1) têm de parecer revistas; (2) usar fontes pequeníssimas; e (3) interactividade significa bells and whistles. É de génio.

Enfim, não perdi muito tempo a ler os conteúdos da Think Quarterly porque rapidamente percebi que a revista tinha todas essas característica, i.e. desafiava a paciência de um santo. Eu sou um nativo digital. Eu não tenho a paciência de um santo. Eu sou daqueles tipos que não vêem mais de cinco segundos de um vídeo no YouTube se esses cinco segundo não forem MESMO impressionantes.

Não há paciência na Internet

Ok, nem tudo são más notícias. Fotografias grandonas e ilustrações giras, Wired like, dão à revista um excelente aspecto. Mas também gostava de ler qualquer coisa, tarefa impossível graças ao tamanho da fonte. Tudo bem que eu posso ler os conteúdos da revista no site, onde foram devidamente formatados para a Web. Mas se assim é, eu pergunto: para quê a revista online? Se não quiseram fazer o mais pequeno esforço para produzir uma revista digital no mínimo legível, para quê esta versão?

A Think Quarterly foi impressa e enviada a parceiros da Google. A versão online foi um afterthought. Portanto podemos olhar para isto de duas formas: (1) pelo menos temos acesso à revista; ou (2) temos acesso à revista, mas pelamordedeus.

A revista recorre a todos os irritantes chavões das revistas digitais. Para teres a esperança de ler os conteúdos tens de clicar na página para expandir. Sinceramente, um só clique e já é um clique a mais. Quando clico de propósito e tento navegar nesse modo fico com dores de cabeça, e quando clico por acidente (o que acontece muito) imediatamente desisto, começo a chorar e fico com dores de cabeça. Situação perdi-perdi.

Dói-me a cabeça :(

Também não percebo porque é que tudo é tão espectacularmente estático. Pensava que a vantagem em desenvolver uma revista digital era incorporar nos conteúdos galerias, vídeos, áudio, hotspots, jogos simples, elementos de partilha, ou, enfim, aspectos altamente personalizáveis pelo utilizador – e tudo isto estruturado na lógica de revista, em que os conteúdos estão distribuídos de uma certa forma porque assim o editor entendeu. A Think Quarterly não passa de uma revista cujos pdfs estão online. É, no mínimo, desinteressante.

Já para não falar em coisas como o page turning para, vá lá, “dar aquele aspecto de revista à coisa”. Uma revista digital não tem (nem deve) de parecer uma revista física. Vejam o caso do Pulse ou do Flipboard para iPhone e iPad (a Think Quarterly também tem versões adaptadas às plataformas mobile, mas ainda não tive tempo para explorar). Mesmo para a aplicação Chrome do Huffington Post.

Campeões não usam flip

Esperava que uma empresa como a Google conseguisse pôr um bocadinho de ordem na área das revistas digitais. Porquê? Bom, porque, vamos ser honestos, é a Google. Eles têm os recursos e trataram de adquirir todo o know-how de que precisavam para desenvolver o arquétipo das revistas digitais.

É óptimo ver a Google molhar a sopa no negócio dos media, que tanto precisa de uma valente pancada na cabeça. Mas os primeiros resultados são, por enquanto, desencorajadores.

1 Comentário

Filed under Comunicação

One response to “Revista digital da Google é espectacularmente ilegível, etc.

  1. Ivo

    Estarei de olho em ti!

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