Os Mortos Caminham II – As novas máquinas arcade e o caso japonês

Publicado originalmente na BGamer nº167, Junho 2012.

1ª Parte

3ª Parte

Longa Vida às Máquinas!

Um produto fora de prazo pode reacender a paixão do seu público e convencer novos utilizadores se se concentrar nos seus pontos fortes. E um dos grandes trunfos das fabricantes de jogos arcade é a possibilidade de criarem máquinas tão simples ou extravagantes quanto for necessário para servir o software – e acima de tudo configurações muito dificilmente replicáveis em casa. As consolas domésticas e portáteis vêm embaladas com controladores que permanecem mais ou menos inalterados durante todo o tempo de vida da máquina. Supõe-se que estes comandos sejam compatíveis com a maioria dos jogos para evitar o risco de fragmentar a base instalada de utilizadores. Alguém acredita, por exemplo, que a próxima versão da 3DS não vai integrar um segundo analógico? [bom…]

No caso das máquinas arcade há a possibilidade real de personalizar os métodos de controlo de acordo com os jogos. Isto vai desde lightguns dedicadas para jogos que conseguem inclusive detetar a posição do jogador no espaço, a cabines totalmente fechadas com várias funcionalidades, botões e joystiqs… a iPads gigantes!

A Adrenaline Amusements, do Canadá, depositou o seu futuro nas mãos de ecrãs LCD multi-toque de 46 polegadas (ou máquinas TouchFX) que reproduzem hits otimizados de aplicações para smartphones e tablets como Fruit Ninja e Infinity Blade. As unidades TouchFX são um dos raros casos de sucesso das máquinas no Ocidente. O próximo passo da empresa deve ser assegurar software exclusivo para as suas máquinas. O conceito é ótimo, mas não nos esqueçamos que o negócio consiste em cobrar dinheiro por “uma vida” num jogo que, completo, custa meia-dúzia de tostões numa loja de aplicações.

Eu Sou *Enorme* no Japão

Consta que quando Space Invaders foi lançado no Japão, em 1978, a febre foi tal que gerou uma escassez generalizada de moedas de 100 ienes (1 euro aprox.) no país. 34 anos depois, as caixas-fortes das máquinas no Sol Nascente continuam a acumular moedas – e as do ocidente enchem-se de pó.

O consumo de videojogos no Japão tem caracteristicas atípicas e as arcades não morrem, persistem. Estamos a falar dum país em que predomina a cultura de jogo face-a-face; onde jogar online em consolas de alta-definição não está ainda vulgarizado, por preferência a aventuras videojogáveis conjuntas em parques, estações de metro, paragens de autocarro, escolas e, em geral, nos grandes centros urbanos do Japão. As consolas portáteis dominam e as máquinas arcade enchem andares inteiros de salões que são, ao mesmo tempo, ponto de encontro, estada e fonte de entretenimento para veteranos e iniciados.

Porque não morrem as arcades no Sol Nascente? Tenho três razões: porque à densidade populacional acrescenta-se uma enorma facilidade de mobilidade; porque há uma clara valorização da cultura de jogo face-a-face e isso incentiva fabricantes como a Sega e a Taito em continuar a inovar (o que por sua vez continua a atrair jogadores), e porque os salões de jogos são tratados como santuários de entretenimento em vez de templos à deliquência.

Feiras anuais como o Amusement Machine Show, o AOU ou mesmo o Tokyo Games Show alimentam os salões com novas máquinas, e a imaginação dos jogadores com as tendências para os próximos anos.

Continua amanhã com roteiro dos salões de jogos em Portugal e cronologia… com um twist!

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