Dentadinhas de amor

Foto: Apple (DR)

Gostava de aproveitar que ainda não estamos todos em modo Apple para deixar um comentário acerca de dois assuntos: (1) que o iPad Mini vai forçosamente ser muito mais barato que o iPad por ser mais pequeno; e (2) que o iPad Mini vai canibalizar as vendas do iPad… e do iPod e etc.

O iPad Mini é, quanto a mim, a primeira vez em muito tempo que a Apple responde diretamente a tendências de mercado, surgindo (partindo do princípio que o dispositivo é MESMO anunciado daqui a pouco) em reação ao sucesso de equipamentos como o Kindle Fire e o Nexus 7 – tablets consideralvelmente mais baratos que o iPad em corpos mais compactos. Mas será que o iPad Mini vai ser vendido ao mesmo preço dos seus concorrentes?

O primeiro erro é pensar que mais pequeno significa necessariamente mais barato; o segundo erro é pensar que o iPad Mini *tem* de ser muito barato.

Existem ainda dúvidas que há gente de sobra disposta a pagar premium para ter Apple? Não creio que o iPad Mini venha a ser mais caro que o seu irmão mais velho. Nem creio que o preço seja o mesmo. Estou à espera de preços de aquisição mais baixos… mas nunca perto de valores como 199 euros. Ou 250.

E será que o iPad Mini vai canibalizar o iPad? E se isso for verdade? Desde que a Apple consiga manter margens de lucro generosas em cada unidade vendida (como é desde já habitual)… Quem melhor do que tu próprio para canibalizar o teu negócio?

O Steve Jobs pode ter feito birra a propósito dos tablets com 7 polegadas, mas ele também disse que «If you don’t cannibalize yourself, someone else will».

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23 Outubro, 2012 · 4:22 pm

Já não gosto do meu smartphone

Foto: Mashable (DR)

A decisão da Apple em aumentar o ecrã do iPhone de 3,5 para 4 polegadas oficializa a preferência do mercado por smartphones “grandes”. Sinceramente, não me ocorre um único smartphone topo-de-gama com uma diagonal inferior a 4” — e agora também anda para aí o conceito de “phablet” que, cada vez mais, acho inenarrável (a sério, nunca pensei que os PDAs pudessem voltar…).

Eu uso um Galaxy S II. Na altura pareceu-me a escolha certa: não queria lidar com o jardim cercado da Apple e gostava da ideia de ter um screen real estate generoso já que não tinha intenções em investir num tablet no médio prazo. Hoje não suporto usá-lo.

As minha queixas não se prendem necessariamente com o software (apesar de reconhecer limitações no SO Android, começando por aquilo que sinto ser um “laissez faire” digital). Não. Queixo-me sobretudo do hardware.

Que fique registado que não tenho nada contra ecrãs de grandes dimensões por princípio. O que me lixa é aperceber-me que a integração dos ecrãs nos dispositivos é, por norma, feita sem preocupações do ponto de vista da utilização.

O smartphone é o derradeiro exemplo de tecnologia pessoal. Não acredito que exista hoje um dispositivo que diga tanto sobre nós próprios como o nosso telemóvel. É lá que se encontram os nossos contactos (porque é o nosso principal meio de comunicação com o exterior), as nossas fotos (porque é provável que seja também o nosso principal dispositivo de captura de fotos e vídeos), as nossas músicas, informação privada, etc. Em resumo, o smartphone é uma extensão de nós próprios.

Esta relação intimista que desenvolvemos com os smartphones tem, para mim, um efeito direto na forma como usamos estes dispositivos. É por isso que se eu fosse responsável pelo design de um smartphone a minha preocupação número 1 seria conseguir fazer tudo com uma mão.

À primeira vista pode parecer parvoíce, mas não é. Um equipamento bem concebido não compreende apenas a estética ou os materiais de contrução; compreende também a relação humana. Exemplificando: tablets como o iPad fazem uma curva nos cantos para que seja possível levantá-los de uma mesa com uma mão só.

No caso do Galaxy S II descobri um dispositivo tecnicamente capaz, mas extremamente mal concretizado do ponto de vista do design. Para além dos materiais sinceramente baratuchos (o que é irritante tendo conta tratar-se de um modelo caro), o smartphone não “assenta” bem na mão. Na verdade, estou constantemente a ajustar o telemóvel quando preciso por exemplo de chegar aos cantos do ecrã. É um desafio que não devia existir; busy work que não combina com a relação íntima que nutrimos com os smartphones. E a solução passar por usar as duas mãos — algo que só revela um equipamento mal concebido. (Eu sei que há casos em que isso é inevitável. Jogos por exemplo.)

Terá sido (também) por isso que a Apple se atrasou em aumentar o ecrã do iPhone? Afinal, no site oficial da Apple lê-se a propósito do novo display Retina de 4” do iPhone 5 que “It’s not just bigger. It’s just right”. Eu ainda não peguei num iPhone 5, mas questiono-me se não terá existido a preocupação genuína em criar um dispositivo maior (para servir a tendência do mercado) mas que continuasse a permitir uma utilização completa através de uma mão só. O que é mais do que posso dizer sobre outras fabricantes.

Mais coisas que me irritam: portáteis em que é impossível abrir a tampa sem o resto vir atrás. Mas isso é outra história.

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